Desafio Guinness: 18 Horas, 53 Minutos, 00 Segundos

Continuação 2/6

Aos 14 anos terminei o 2.º ciclo e fui trabalhar com o meu irmão como carpinteiro. Foi também ele que no Natal de 1989 me ofereceu uma bicicleta. Já nessa altura, além do atletismo, praticava também ciclismo.

Durante o dia trabalhava, ao final da tarde fazia treinos de bicicleta ou a pé e à noite estudava para fazer o 9º ano. Continuei assim até aos meus dezassete anos. Foi nessa altura que tive de parar de fazer todas estas actividades, pois a minha escoliose estava muito mais avançada e já sentia grandes dificuldades em respirar.

Devido a esta insuficiência, fui internado no Hospital de São João, no Porto, durante 2 meses. Era chegada a altura da operação que corrigiria o meu problema. Fiz todos os exames necessários e os médicos apesar de me dizerem que era uma cirurgia complicada deram-me 99,9% de probabilidades de ficar com a coluna direita e sem quaisquer problemas respiratórios.

Fui operado. Quando acordei já tinham passado 2 dias após a minha saída do bloco operatório. Algo não estava bem! Não sentia as pernas, não as conseguia mexer… Prontamente chamei os médicos que me informaram que a cirurgia a que havia sido submetido e que tinha grandes probabilidades de correr bem, afinal não tinha corrido como previsto. Foi um pesadelo para mim…

Estive deitado durante cinco semanas sem me mexer e é neste período da minha vida que eu sinto ter voltado a “nascer”.

Tornei a ser bebé… e tudo começou de novo… tudo o que havia aprendido até aqui parecia escondido no meu subconsciente. Até as tarefas mais simples como: comer, fazer a higiene diária, tinham que ser feitas com a ajuda de terceiros.

Passaram-se 2 meses chegando o momento em que iria experimentar uma cadeira de rodas pela primeira vez. Mais uma vez com a ajuda dos enfermeiros, claro. Eu nem sequer conseguia sentar-me na cama, quanto mais passar desta para a cadeira de rodas. Impossível.

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