Desafio Guinness: 18 Horas, 53 Minutos, 00 Segundos

Continuação 3/6

Estive internado no Hospital de São João sensivelmente um ano e uma semana. Durante todo este tempo fui fazendo alguma reabilitação para ganhar alguma independência, mas não era o suficiente.

Fui então transferido para o Centro de Reabilitação de Alcoitão. Médicos e fisioterapeutas mandaram-me fazer vários aparelhos com o objectivo de tentar fazer os movimentos necessários para andar. Nunca pensei, aos 19 anos, ouvir: “tem-tem”, “isso, força, tu consegues ficar de pé, faz força, avança o pé direito, vamos tu consegues…”. E consegui… Com a ajuda dos aparelhos e de um andarilho consegui voltar a andar. Embora com muito esforço, consegui caminhar 200 a 300 metros. As dores que sentia eram enormes e chegando até a chorar, mas a vontade de estar em pé e caminhar de novo era tão grande que nada nem ninguém me deteriam. Todos os dias realizava este treino e todos os dias as dores me acompanhavam. O que eu sentia não era em vão. Provou-se que era uma anca gasta, ou seja, uma luxação.

Mais exames realizados, e finalmente o veredicto dos médicos - não podia pôr-me de pé, nem mesmo com ajuda dos aparelhos. Teria de, mais uma vez, ser operado, desta vez à anca. Não me deram certezas. Não sabiam se depois poderia voltar ou não a pôr-me de pé. Deram-me a oportunidade de optar: arriscar a operar ou não voltar a andar.

Foi a decisão mais difícil da minha vida: “Ficar para sempre numa cadeira de rodas ou esperar um milagre na operação!”. Em conversa com os médicos e após muitas pesquisas, aconselharam-me a não operar. Eu, aceitei a decisão.

Iniciou-se outro trabalho: ser independente numa cadeira de rodas. Este sim um trabalho muito bem sucedido. Após nove meses em Alcoitão estava preparado para refazer a minha vida.

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